domenica
mercoledì
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:: Possuir...

Quem tentar possuir uma flor, verá sua beleza murchando.
Mas quem apenas olhar uma flor num campo, permanecerá
para sempre com ela.
Você nunca será minha e por isso terei você para sempre.
Paulo Coelho
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venerdì
:: Gisele Bundchen...



La “bomba sexual” Gisele Bundchen es la nueva portada de la revista V con una fotografía que le sacó el renombrado fotógrafo Mario Testino.“Esta producción fue rápida, divertida y fabulosa”, indicó Anne Quay, editora ejecutiva de la publicación. “Es impresionante poder compartir estás sensuales imágenes de Gisele con nuestros lectores”, añadió.La modelo, que cumple 28 años en apenas unos días, reveló que trabaja en moda pero no es una persona “fashion”: “No sigo las tendencias. No puedo decirte qué diseñador hizo ese zapato o esa cartera. Me gustan los jeans”.También habló de la producción a cargo de Testino: “Solo Mario puede hacerme estas fotos. La gente va a pensar que estoy mostrando demasiado mi cola pero es la revista V”.martedì
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giovedì
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:: Pecado...

Pecado - Wikipédia
Pecado
Rapaz enamorado um peito não deixa
Velho embasbacado olha para o meio…
Olhar só é pecado quando se desleixa…
Se deixa de apreciar um perfeito seio.
E se for de mulher bela cor de ameixa…
Com beijos enfarinhados de centeio…
Que importa a farinha? Quem se queixa?
- Deixa p´ra lá a janta que hoje não ceio…
Não ceio, o gato tem o peixe e não come…
Ou tem barriga cheia; ou não tem fome
- Anda cá sardinha não voltes para o mar…
Quando a fome é maior que a barriga
Come-se a ameixa, a farinha e a espiga…
E digam lá agora - se foi pecado olhar?
Rogério Simões
É um pecado
Pensar em ti
Do meu coração salta um bocado
Acredita!
Eu senti
Canta uma canção
Porque senão eu me perdiria
Canta que eu sigo esta paixão
Pela tua voz eu me guiaria
Cada tom na tua voz
Cada movimento da tua boca
Alivia um sofrimento atroz
Atiça uma paixão louca
Cada gesto teuInvoca o espírito líric
oCada movimento meu
Tem algo de empírico
Eu sei o que quero
O que desejo não posso ter
Invocarei Homero
Para que nenhum beijo teu, perder
Descobri-te longe de mim
Apenas fico com a tua canção
Voltei a sentir-me assim
Para ti um lugar no meu coração
Oh, doce desconhecida
Beija a minha pior ferida
Cura-me desta realidade
E terás a minha fidelidade
Olhos teus
Seduzem o mais puro homem
Nem rezando a Deus
Me salvam deles
martedì
domenica
:: Poesia...
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,não aquece nem ilumina.As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.Não faças poesia com o corpo,esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escurosão indiferentes.Nem me reveles teus sentimentos,que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a naturezanem os homens em sociedade.Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.A poesia (não tires poesia das coisas)elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,não indagues. Não percas tempo em mentir.Não te aborreças.Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de famíliadesaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhastua sepultada e merencória infância.Não osciles entre o espelho e amemória em dissipação.Que se dissipou, não era poesia.Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.Lá estão os poemas que esperam ser escritos.Estão paralisados, mas não há desespero,há calma e frescura na superfície intata.Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.Espera que cada um se realize e consumecom seu poder de palavrae seu poder de silêncio.Não forces o poema a desprender-se do limbo.Não colhas no chão o poema que se perdeu.Não adules o poema. Aceita-ocomo ele aceitará sua forma definitiva e concentradano espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.Cada umatem mil faces secretas sob a face neutrae te pergunta, sem interesse pela resposta,pobre ou terrível, que lhe deres:Trouxeste a chave?
Repara:ermas de melodia e conceitoelas se refugiaram na noite, as palavras.Ainda úmidas e impregnadas de sono,rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escurosão indiferentes.Nem me reveles teus sentimentos,que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a naturezanem os homens em sociedade.Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.A poesia (não tires poesia das coisas)elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,não indagues. Não percas tempo em mentir.Não te aborreças.Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de famíliadesaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhastua sepultada e merencória infância.Não osciles entre o espelho e amemória em dissipação.Que se dissipou, não era poesia.Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.Lá estão os poemas que esperam ser escritos.Estão paralisados, mas não há desespero,há calma e frescura na superfície intata.Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.Espera que cada um se realize e consumecom seu poder de palavrae seu poder de silêncio.Não forces o poema a desprender-se do limbo.Não colhas no chão o poema que se perdeu.Não adules o poema. Aceita-ocomo ele aceitará sua forma definitiva e concentradano espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.Cada umatem mil faces secretas sob a face neutrae te pergunta, sem interesse pela resposta,pobre ou terrível, que lhe deres:Trouxeste a chave?
Repara:ermas de melodia e conceitoelas se refugiaram na noite, as palavras.Ainda úmidas e impregnadas de sono,rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
Carlos Drummond de Andrade
NÃO SE MATE
Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo:hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será.
Inútil você resistirou mesmo suicidar-se.Não se mate, oh não se mate,reserve-se todo para as bodas que ninguém sabe quando virão, se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,a noite passou em você, e os recalques se sublimando,lá dentro um barulho inefável,rezas, vitrolas,santos que se persignam, anúncios do melhor sabão, barulho que ninguém sabede quê, pra quê.Entretanto você caminhamelancólico e vertical.Você é a palmeira, você é o grito que ninguém ouviu no teatroe as luzes todas se apagam. O amor no escuro, não, no claro,é sempre triste, meu filho, Carlos, mas não diga nada a ninguém, ninguém sabe nem saberá.
Carlos Drummond de Andrade
sabato
:: Mulheres...
domenica
:: Meu Coração...



Meu coração tardou
Meu coração tardou. Meu coração
Talvez se houvesse amor nunca tardasse;
Mas, visto que, se o houve, houve em vão,
Tanto faz que o amor houvesse ou não.
Tardou. Antes, de inútil, acabasse.
Meu coração postiço e contrafeito
Finge-se meu. Se o amor o houvesse tido,
Talvez, num rasgo natural de eleito,
Seu próprio ser do nada houvesse feito,
E a sua própria essência conseguido.
Mas não. Nunca nem eu nem coração
Fomos mais que um vestígio de passagem
Entre um anseio vão e um sonho vão.
Parceiros em prestidigitação,
Caímos ambos pelo alçapão.
Foi esta a nossa vida e a nossa viagem.
Fernando Pessoa
sabato
:: Acordo...
Acordo de noite subitamente.
E o meu relógio ocupa a noite toda.
Não sinto a Natureza lá fora,
O meu quarto é uma coisa escura
com paredes vagamente brancas.
Lá fora há um sossego como se nada existisse.
Só o relógio prossegue o seu ruído.
E esta pequena coisa de engrenagens
que está em cima da minha mesa
Abafa toda a existência da terra e do céu...
Quase que me perco
a pensar o que isto significa,
Mas estaco,
e sinto-me sorrir na noite
com os cantos da boca,
Porque a única coisa que o meu relógio
simboliza ou significa
É a curiosa sensação
de encher a noite enorme
Com a sua pequenez...
Fernando Pessoa
venerdì
:: Continuo...

Continuo sempre me inaugurando,
abrindo e fechando círculos de vida,
jogando-os de lado, murchos, cheios de passado.
Por que tão independentes,
por que não se fundem num só bloco, servindo-me de lastro?
É que eram demasiado integrais.
Momentos tão intensos, vermelhos,
condensados neles mesmos
que não precisavam de passado
nem de futuro para existir.
Clarice Lispector
:: Videos Chanel...

nicole kidman chanel commercial
CHANEL - ROUGE ALLURE - COMMERCIAL -JULIE ORDON(NEW SPOT)!!!
Nicole Kidman Chanel Ad
CHANEL N° 5 the Film
Chanel n° 5 (avec Nicole Kidman - France)
Chanel nº5 en castellano
Egoiste Chanel
Eu De Choppe - Terry Chops the Chanel No 5
Chanel No 5 commercial (starring Nicole Kidman)
reklama chanel nr 5 (commercial chanel no 5)
Chanel nº 5
Anuncio de Chanel Nº5 (Baz Luhrmann)
Chanel N°5 Italiano
Escapemonos (Nicole Kidman CHANEL)
Vanessa Paradis for Coco Chanel [1992]
Pub Chanel Chaperon rouge
Keira Knightley-Coco Chanel
Chanel No.5 Estella Warren/Nicole Kidman
making of chanel no.5 nicole kidman ----5
pub Chanel
:: Há-de flutuar...


Há-de flutuar uma cidade
há-de flutuar
uma cidade no crepúscolo da vida
pensava eu...
como seriam felizes
as mulheres à beira mar
debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas
espiando o mar e a longitude
do amor embarcado
por vezes uma gaivota
pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue
alastrava pelo linho
da noite os dias lentíssimos...
sem ninguém
e nunca me disseram
o nome daquele oceano
esperei sentada à porta...
dantes escrevia cartas
punha-me a olhar
a risca de mar
ao fundo da rua assim envelheci...
acreditando que algum homem
ao passar se espantasse
com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora,
cresceu-me uma pérola no coração.
mas estou só, muito só, não tenho
a quem a deixar.)
um dia houve que
nunca mais avistei cidades
crepusculares e os barcos deixaram
de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano
deste século recomeço a bordar
ou a dormir tanto faz sempre
tive dúvidas que alguma
vez me visite a felicidade
Al Berto
sabato
:: Coração...
Fotografia de KASSANDRACoração sem imagens
Deito fora as imagens,
Sem ti para
que me servem as imagens?
Preciso habituar-me
a substituir-te pelo vento,
que está em toda a parte
e cuja direcção é igualmente
passageira e verídica.
Preciso habituar-me
ao eco dos teus passos
numa casa deserta,
ao trémulo vigor
de todos os teus gestos
invisíveis, à canção
que tu cantas
e que mais ninguém
ouve a não ser eu.
Serei feliz sem as imagens.
As imagens não dão
felicidade a ninguém.
Era mais difícil perder-te,
e, no entanto, perdi-te.
Era mais difícil inventar-te,
e eu te inventei.
Posso passar sem
as imagens assim
como posso passar sem ti.
E hei-de ser feliz a
ainda que isso
não seja ser feliz.
Raul de Carvalho
mercoledì
:: Coco Before Chanel...

Mudança nas datas "Coco before Chanel"será filmado no fim deste ano e lançado só em 2009. agora o poster da divulgação com Linda audrey
martedì
domenica
:: A tua sede...

Aqui tens a minha sede.
as águas dos rios
somente satisfazem a urgência maior
e nada diz de ti esse líquido que a sede sacia:
queria beber-te nas ondas do teu ciúme
e despedaçar-me no desejo dos teus lábios
queria alcançar a nuvem e colher a rebeldia
das gotas exaltantes dos teus beijos
queria a ribeira da tua pele como a água
que rebenta das fontes
e unidos na mesma sede alcançar o êxtase
na cintilação dos mesmos horizontes
queria o incêndio escrito na mesma sede
e morrer no martírio de doçuras de amante
aqui tens a minha sede:
fogo e água da tua boca
ardendo no azul duma água murmurante.
Bernardete Costa, aqui
:: Sou...
Fotografia de LADY DEMENSou feita de uma carne perecível
futuro de outra carne,
sem nenhuma eternidade.
A rocha é uma invencível
parte da terra;
que ela me resuma
no seu mesmo destino mineral.
A solidez ausente que tortura
nossa matéria frágil, no final
se renderá: serei de pedra dura.
Nunca mais chorarei nessa passagem
de poesia.
Com nítida certeza,
recorto nas montanhas minha imagem
mais que raiz, expressa na beleza.
Pela terra em que não me desfiguro,
hei de surgir
um dia em cristal puro
Lupe Cotrim
sabato
:: Chanel desfila em Carrossel com ícones da marca

Chanel desfila em carrossel com ícones da marca
- Karl Lagerfeld apresentou nesta sexta-feira a coleção outono-inverno 2008/2009 da Chanel num grande carrossel construído na sala do Grand Palais, na Semana de Moda de Paris. O cenário, mais uma vez, foi um dos destaques do desfile da marca, que, em janeiro, colocou um blazer gigante na passarela da semana de moda de Milão. No lugar dos cavalos de brinquedo do carrossel, foram instalados ícones gigantes da marca, como a jaqueta tweed, as camélias, as pérolas e o perfume Chanel nº 5. Em 2008, Lagerfeld completa 25 anos à frente da maison.Clique aqui e não perca fotogaleria com imagens do desfile As saias, propostas na maioria dos looks, são próximas do corpo e ficam logo acima do joelho. Lagerfeld criou também meias bicolores, com cores claras na parte da frente da perna e escuras na parte de trás, que acompanhavam os sapatos também bicolores da grife. As modelos também desfilaram capas de plástico transparente com detalhes em verniz preto e o tailleur de tweed, num aspecto um pouco detonado.
venerdì
giovedì
:: A única....

Todas as rosas
são a mesma rosa,
Amor, a única rosa.
E tudo está contido nela,
Breve imagem do mundo,
Amar!
A única rosa.
Juan Ramón Jiménez
Imagens em CALLU
martedì
:: Faz-me...
sabato
:: Chanel...


em que de penetrar-te me senti perdido
no ter-te para sempre
-Quanto de ter-te me possui em tudo
o que eu deseje ou veja não pensando em ti
no abraço a que me entrego
-Quanto de entrega é como um rosto aberto,
sem olhos e sem boca,
só expressão dorida
de quem é como a morte
-Quanto de morte recebi de ti
na pura perda de possuir-te em vão
de amor que nos traiu
-Quanta traição existe em possuir-se a gente
sem conhecer que o corpo não conhece
mais que o sentir-se noutro
-Quanto sentir-te e me sentires não foi
senão o encontro eterno que nenhuma imagem
jamais separará
-Quanto de separados viveremos noutros
esse momento que nos mata para
quem não nos seja e só
-Quanto de solidão é este estar-se em tudo
como na ausência indestrutível que
nos faz ser um no outro
-Quanto de ser-se ou se não ser o outro
é para sempre a única certeza
que nos confina em vida
-Quanto de vida consumimos pura
no horror e na miséria de, possuindo, sermos
a terra que outros pisam
-Oh meu amor, de ti, por ti, e para ti,
recebo gratamente como se recebe
não a morte ou a vida, mas a descoberta
de nada haver onde um de nós não esteja.
Jorge de Sena
lunedì
domenica
:: Jean - Baptiste Mondino...

Fotógrafo francês Jean-Baptiste Mondino além de ser uma referência em campanhas de moda (Yves Saint Laurent, Giorgio Armani, Christian Dior, Kenzo, Calvin Klein, ....) também actua como stylist e diretor de comerciais de perfumes e videoclipes. Já trabalhou com Björk, Neneh Cherry, Missy Elliott, U2, REM, Garbage, Alanis Morissette, Madonna, David Bowie, dentre outros...
giovedì
:: Chanel....

Mulher, talvez 20 anos.Mulher dos anos 20, com certeza.O vestido leve de seda tubular resvala-lhe pela dobra escandalosa do joelho. Livre dos espartilhos usados até o final do século XIX, já mostra as pernas, os braços e usa maquilagem. Pinta a boca a carmim, para parecer um arco de cupido ou um coração. Marca bem os olhos, tira as sobrancelhas e modela-as a lápis, contrastando o efeito com uma pele enfarinhadamente branca.
O instinto de sair à noite, como um homem, faz dela noctívaga atraída pelos salões com Jazz-bands onde o estonteante ritmo do Charleston se dança. Já não quer ser fada do lar e troca o avental e os bordados pelo brilho das pérolas e o glamour das plumas. Não tem curvas nem seios e a anca é preferencialmente pequena. Fuma também em cigarrilha, gosta das novidades do cinema e da rádio, segue à risca o que aparece nos anúncios publicitários e nas revistas femininas da época e assassina as normas do eterno visual feminino à tesourada, vingando-se no comprimento dos cabelos, sem piedade.
Aparece então um novo adorno em voga: o chapéu, enterrado até os olhos e usado com os tais cabelos curtíssimos à Garçonne.
O resto do mundo vibrava com a nova aparência da sociedade feminina dos anos 20, que imitava Hollywood e as suas vedetas. Se os homens queriam ser como Rodolfo Valentino e Douglas Fairbanks, as mulheres copiavam fielmente as roupas das actrizes Gloria Swanson e Mary Pickford e imitavam os gestos da provocante cantora e dançarina Josephine Baker, sempre adornada por trajes ousados. Havia ainda uma nova estilista, Coco Chanel, que teimava em fazer combinar o pouco cabelo com boinas e colares compridos. Mas em Portugal, esse país de brandos costumes e casas hospitaleiras sempre com pão e vinho sobre a mesa, chamou-se genuinamente ao corte arrapazado francês «corte à Joãozinho». Uma modernice vinda de fora que estava perto da «pouca vergonha», tinha inventado a Maria Rapaz e «colocou em perigo o símbolo da feminilidade, insinuou uma indefinição dos sexos e criou seres revolucionários que põem em causa a ordem social instituída, as normas e os preceitos em vigor e induziu atitudes transgressivas associadas à masculinização da mulher».A exigência da modernização da aparência feminina apoiada por sinais de rebeldia, irreverência, inconformismo e ousadia contra o espadachim da moral e da censura que acusava a nova tendência de ir contra os cânones da feminilidade através de uma «suposta androginia e uma virilização da mulher assumida com contornos difusos» são as ideias base para o último trabalho de Gabriela Mota Marques que conta com edição da Livros Horizonte.
lunedì
:: Tudo...

...Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer,
tudo gasta, tudo digere, tudo acaba...
São as feições como as vidas,
que não há mais certo sinal de haverem
de durar pouco, que terem durado muito.
São como as linhas, que partem do centro para a circunferência,
que quanto mais continuadas, tanto menos unidas.
Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino;
porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho.
De todos os instrumentos com que o armou a natureza o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira;
embota-lhe as setas, com que já não fere;
abre-lhe os olhos com que vê o que não via;
e faz-lhe crescer as asas, com que voa e foge.
A razão natural de toda esta diferença
é porque o tempo tira novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos,
enfastia-lhe o gosto, e bastam que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor?!
O mesmo amar é causa de não amar
e o ter amado muito, de amar menos...
António Vieira, Sermão do Mandato, 1643
sabato
domenica
:: Amigo...

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta,
que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser,
é já uma grande festa!
Alexandre O'Neil
giovedì
:: Amo...



Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.
Nega-me o pão,
Nega-me o pão,
o ar,a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Os teus pés
Os teus pés
Quando não te posso contemplar
Contemplo os teus pés.
Teus pés de osso arqueado,
Teus pequenos pés duros,
Eu sei que te sustentam
E que teu doce peso
Sobre eles se ergue.
Tua cintura e teus seios,
A duplicada purpura
Dos teus mamilos,
A caixa dos teus olhos
Que há pouco levantaram voo,
A larga boca de fruta,
Tua rubra cabeleira,
Pequena torre minha.
Mas se amo os teus pés
É só porque andaram
Sobre a terra e sobre
O vento e sobre a água,
Até me encontrarem.
Pablo Neruda
domenica
:: Lágrimas... Sofridas Muitas...

Lágrimas que tenho chorado a vida inteira,
Às vezes na emoção da alegria incontida,
Lágrimas que jorram da alma incompreendida
Daqueles que têm a dor por companheira.
Lágrimas que tanto marcam as nossas vidas...
Lágrimas de felicidade ou de dor pungente...
Quantas vezes derramei o pranto ardente
Na dor dos adeuses na hora das despedidas.
Lágrimas que lavam a alma de quem chora,
Lágrimas que em minha dor derramo agora,
Oh! Quem dera estas fossem as derradeiras...
Feliz aquele que a sua lágrima derrama...
A lágrima é o símbolo da redenção humana,
Jesus também chorou no Horto das Oliveiras...
Agenor
lunedì
:: Criança que fui...



A criança que fui chora na estrada
A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah, como hei-de encontrá-lo?
Ah, como hei-de encontrá-lo?
Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe,
achar
Em mim um pouco de quando era assim.
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
giovedì
mercoledì
:: No silêncio da Noite...

No silêncio desta noite quente
(que neste caso está imensamente fria)
Procuro-te num desejo ardente
Preciso sentir-te e dizer-te
Que quero muito ver-te
No silêncio desta noite de luar
Fecho os olhos e fico a pensar
Que tens o sabor do sol e do vento
Que fixas meu olhar ciumento
No silêncio desta noite de emoção
Quero que venhas sentir o meu coração
Batendo forte, ansiando pelo teu
Preciso que também anseies pelo meu
No silêncio desta noite sem fim
Larga tudo e corre até mim
Faz-me sentir o sabor da paixão
Rasgando meu sentimento de solidão
No silêncio desta noite ensurdecedora
Ouço mais do que outrora
Ouço minhas forças e fraquezas
Ouço alegrias e tristezas
No silencio desta noite sem amor
Vou ficar enrolado no cobertor
Esperando por quem não vem
Dando o sono a quem não tem
música: "You Give Me Something"
música: "You Give Me Something"
- James Morrison
lunedì
:: Quase

QUASE. UMA NATUREZA MORTA
Um braço de rio que se solta da margem os ramos
prolongam, na água, a nostalgia de terra.
A pureza
da luz não atravessa a superfície para se perder
num fundo que não se adivinha (ali, onde a corrente
faz saltar as espumas do centro, ninguém se aventura
- mesmo que as pedras separem o curso branco
das águas)
Que é isto?, perguntas. A parábola
capital a tua vida cortada ao meio, como se não
houvesse uma direcção única a prosseguir até ao
fim.
«Nem no amor?»
Porém, a tarde traz consigo
o frio, a visão transparente dos montes, e até
o canto dos pássaros parece mais nítido, como se
nenhuma outra vibração o contaminasse. Respiro
contigo o conhecimento da realidade mesmo que ele
passe pela descoberta de outra vida, pelo contacto
entre duas solidões, ou apenas por uma breve
hesitação antes que os lábios se toquem
utro corpo e,por cima disso,
define os limites da razão e do sentimento
dedos para
dentro da própria alma
Um braço de rio que se solta da margem os ramos
prolongam, na água, a nostalgia de terra.
A pureza
da luz não atravessa a superfície para se perder
num fundo que não se adivinha (ali, onde a corrente
faz saltar as espumas do centro, ninguém se aventura
- mesmo que as pedras separem o curso branco
das águas)
Que é isto?, perguntas. A parábola
capital a tua vida cortada ao meio, como se não
houvesse uma direcção única a prosseguir até ao
fim.
«Nem no amor?»
Porém, a tarde traz consigo
o frio, a visão transparente dos montes, e até
o canto dos pássaros parece mais nítido, como se
nenhuma outra vibração o contaminasse. Respiro
contigo o conhecimento da realidade mesmo que ele
passe pela descoberta de outra vida, pelo contacto
entre duas solidões, ou apenas por uma breve
hesitação antes que os lábios se toquem
utro corpo e,por cima disso,
define os limites da razão e do sentimento
dedos para
dentro da própria alma
sabato
:: Gosto...


Gosto das mulheres que envelhecem,
com a pressa das suas rugas,
os cabelos
caidos pelos ombros negros do vestido,
o olhar que se perde na tristeza
dos reposteiros.
Essas mulheres sentam-se
nos cantos das salas,
olham para fora,
para o átrio que não vejo,
de onde estou,
embora adivinhe aí a presença de
outras mulheres,
sentadas em bancos
de madeira, folheando revistas
baratas.
As mulheres que envelhecem
sentem que as olho,
que admiro os seus gestos
lentos, que amo o trabalho subterraneo
do tempo nos seus seios.
Por isso esperam
que o dia corra nesta sala sem luz,
evitam sair para a rua,
e dizem baixo,por vezes,
essa elegia que só os seus lábios
podem cantar
Nuno Judice
venerdì
giovedì
:: É...


Dos 20 anos aos 30
Ela esperou apaixonadamente por um amante.
Dos 30 aos 40
Tentou diligentemente apanhar um.
Agora é conhecida
Como a virgem viva
Do Centro Nacional de Artes Dramáticas.
II
Ele consagrou a vida à defesa da liberdade.
Todos os que com ele trabalhavam
se ressentiam do seu feitio autoritário.
IX
Ela anunciava-se como pintora,
Incessantemente,
Até ficar conhecida
Pela alcunha de “Eu-sou-pintora”.
Agora que morreu
Enlutam-se os seus amantes,
Aqueles que ficaram em silêncio
Quando ela falava de arte.
X
Porque dizem tantos desses
Poetas de antologias gregas
Que é melhor não nascer
E nascendo, é melhor morrer cedo?
Eu discordo.
É melhor nascer,
E nascendo,
Escrever versos dizendo
Que é melhor não nascer.
Ter uma vida longa
E escrever versos dizendo
Que é melhor morrer cedo.
Porque se não nascemos,
Que podemos dizer?
E se morremos cedo,
Como aprendemos a dize-lo bem?
Nissim Ezekiel (1924-2004),
Ela esperou apaixonadamente por um amante.
Dos 30 aos 40
Tentou diligentemente apanhar um.
Agora é conhecida
Como a virgem viva
Do Centro Nacional de Artes Dramáticas.
II
Ele consagrou a vida à defesa da liberdade.
Todos os que com ele trabalhavam
se ressentiam do seu feitio autoritário.
IX
Ela anunciava-se como pintora,
Incessantemente,
Até ficar conhecida
Pela alcunha de “Eu-sou-pintora”.
Agora que morreu
Enlutam-se os seus amantes,
Aqueles que ficaram em silêncio
Quando ela falava de arte.
X
Porque dizem tantos desses
Poetas de antologias gregas
Que é melhor não nascer
E nascendo, é melhor morrer cedo?
Eu discordo.
É melhor nascer,
E nascendo,
Escrever versos dizendo
Que é melhor não nascer.
Ter uma vida longa
E escrever versos dizendo
Que é melhor morrer cedo.
Porque se não nascemos,
Que podemos dizer?
E se morremos cedo,
Como aprendemos a dize-lo bem?
Nissim Ezekiel (1924-2004),
poeta, dramaturgo e critico de arte.
Judeu indiano nascido em Bombaim.
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